jusbrasil.com.br
18 de Outubro de 2021

Os Argonautas de uma Sociedade Débil

Há alguns anos atrás a pauta em evidência na sociedade era a “Execução provisória de pena”. Todo mundo tinha opinião formada, ainda que não soubesse nada sobre o assunto.

No entanto, o “susto” não se limitava àqueles que comentavam e não sabiam, mas principalmente àqueles que deveriam saber, pois “em tese” estudaram, e também falavam “bobagem”.

Observando-se este cenário de inclusão digital percebe-se o quanto esta sociedade “pós democrática” é vulnerável, pois é a “sociedade do conhecimento”, em que a grande maioria, de fato, não sabe, ainda assim sente-se confortável e motivada a expressar “opiniões”, em redes sociais.

O grande “fetiche” sobre o tema deveu-se ao fato de que iria repercutir no ex presidente Lula, e em razão disso, a sociedade (polarizada) inventava razões de lado a lado, para justificar suas opiniões.

Portanto, razões jurídicas foram distorcidas pelos calhordas, bem como replicadas pelos obtusos, com o fim exclusivo de atender a suas opiniões políticas.

E quando se achava que a idiotice estava adstrita a celeumas jurídicas, surge uma pandemia, na qual o Presidente (ex paraquedista do exército) começa a receitar remédios.

O Presidente por sua formação (ausência de), não poderia prescrever drogas para combater doenças, pois não tem qualquer conhecimento, e autorização estatal (órgão de conselho de classe), mas ainda assim o fez.

E àquela população que nada sabia sobre “execução provisória de pena”, e que ainda assim tinha opinião formada, também não sabia sobre eventuais drogas para combater o SARS-COV 2, mas ainda assim replicava a prescrição do presidente, num processo de “delírio coletivo”.

Ainda que a Ciência afirmasse que a tal droga que o Presidente prescrevia não só não tinha resultados comprováveis, como provocava lesões hepáticas, mas a horda delirante de seus seguidores continuavam a publicar em redes sociais seus surtos psicóticos.

Diante de toda esta insanidade, a conduta dos débeis não é o mais relevante. O que deixa parcela lúcida da sociedade atônita é que a atitude do Presidente da República caracteriza crime, previsto no artigo 282 do Código Penal, e no entanto, as autoridades públicas e persecutórias criminais nada fizeram, bem como o órgão de classe mais vilipendiado (Conselho Federal de Medicina-CFM) se manteve inerte.

A sociedade Brasileira vive um torpor autoritário, cujas instituições “fraquejaram”, sendo tolerante com os intolerantes. A sociedade está desalentada, e sem referência das balizas de um Estado Democrático de Direito, e com isso qualquer “navegante ousado”, com discurso falacioso, cria uma legião de obtusos, que servirão de massa de manobra para vilipendiar a Democracia e as instituições.

Salvador, 03 de Agosto de 2021.

1 Comentário

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Acho que a inércia do referido conselho é ainda mais surpresa, inclusive em relação ao comportamento dos "obtusos" que como tal o são. continuar lendo