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18 de Outubro de 2021

O Novo “Macarthismo” de Bannon e a vulnerabilidade da Democracia

Nos Anos 50, criou-se nos EUA um movimento de repressão política que se caracterizou como “caça aos comunistas”, conhecido como “Macarthismo”, em alusão ao Senador Joseph McCarthy, idealizador do projeto.

O projeto se caracterizou por um imenso patrulhamento na vida das pessoas, inclusive sendo incentivado o denuncismo entre os conhecidos e vizinhos.

À época existia uma “lógica geopolítica”, pois se vivia a guerra fria, e o EUA buscavam tomar medidas de “guerra”, para conter o avanço ideológico soviético, dentro de suas fronteiras.

Projeto semelhante foi criado no Brasil, o conhecido “Plano Cohen”, em que se divulgou que haveria um projeto judaico-Comunista no Brasil, e tinha o objetivo de tomar o poder, financiado pela “Internacional Comunista”, e que serviu de justificativa (pretexto) para a instauração da ditadura do Estado Novo de Vargas.

Com a Perestroika e o Glasnost, findou-se a URSS, e os debates sobre “Comunismo/Socialismo”, desde o início dos anos 90, terminaram, inclusive na academia.

Steve Bannon, para reunificar aquela parcela da população que se encontrava abatida e se sentia “perdedora” na “selva do capitalismo liberal”, recriou o “Macarthismo” do século XXI.

O Ressurgimento do combate ao “comunismo”, mostrou-se como ferramenta de agregação dos “perdedores do capitalismo”, em nome de um inimigo “imaginário” comum (Comunismo), como forma de simplificar o debate, da complexa teoria econômica do mundo globalizado, excludente, e conduzir as massas em prol de objetivos políticos específicos.

O Projeto do Bannon se concretizou nos EUA, com a eleição de Trump, e até no Brasil com Bolsonaro. Bannon percebeu o processo cíclico da história, além de que a sociedade é um “experimento sociológico”, que através dos mesmos estímulos (em qualquer momento histórico), a sociedade responde de forma muito similar.

Bannon demonstrou na prática, como é possível controlar a sociedade, e com isso manipular a própria “Democracia”, através de falácias históricas, e que manipuladas, segundo certas condições socioeconômicas, obtém-se os mesmos resultados sociológicos.

Salvador, 12 de Outubro de 2020.

2 Comentários

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“ Com a Perestroika e o Glasnost, findou-se a URSS, e os debates sobre “Comunismo/Socialismo”, desde o início dos anos 90, terminaram, inclusive na academia.”

Sério? E o que a gente faz com as teorias críticas, que estão presentes não só no meio acadêmico, como compõem o mainstream em determinadas áreas do ambiente brasileiro? E o que devemos pensar naqueles que exaltam ditaduras e ditadores socialistas no Brasil, inclusive tendo casos aqui no próprio JusBrasil? Quer dizer, nada de novo foi produzido no pós-guerra fria? Não existe no imaginário popular e até do elitismo acadêmico uma utopia socialista, propondo engenharias sociais? Sei não... devem existir dois mundos girando em paralelo... continuar lendo

No mais, como acabei me atendo a um ponto do texto e não comentando o demais, minha opinião: não há nada de novo no reino. Ou quase nada. O que mudou foi o espectro político que toca o barco.

Na história, podemos encontrar inúmeros exemplos de um “combate ao mal maior” (ou um “mau maior”, quando se personifica esse “combate”) capitalizando projetos de poder, em especial de engenharias sociais. Para se valer do próprio artigo, Lênin, ao chegar ao poder soviético, lançou mão de políticas de deskulakização, que posteriormente evoluiu para “inimigos do povo” e transcendeu fronteiras para fazer parte de quase todos os regimes socialistas do mundo. Foi responsável por parte das maiores atrocidades contra a humanidade na história.

E podemos também trazer isto para a história do Brasil. Além do já citado Plano Cohen, o que era a narrativa da esquerda na década de 1990 “denunciando” um “entreguismo” ao “imperialismo yankee” por políticas “neoliberais”, a qual, no final das contas, a solução seria com a tomada do poder por esses denunciadores “revolucionários”? Quando chegaram ao poder, tudo aquilo que era denunciado foi encampado, estruturado para o projeto de poder e, quando cometido o crime de responsabilidade, tudo virou um “golpe”.

O que acontece agora, tanto no Brasil quanto nos EUA? É que este sofisma tem como núcleo a direita reacionária. Assusta agora o que não assustava no passado. Aliás, nem tudo assusta no presente: essa histeria contra as “fake news” (a qual virou política oficial do judiciário) passa desapercebida desse olhar atento ao “novo macarthismo”, mesmo que a desculpa esfarrapada esteja nitidamente atentando contra a democracia. E nem vou falar desse “antifascismo” de pessoas que não sabem sequer da existência de literaturas de Mussolini...

Conspiração por conspiração, ideologias inteiras são baseadas nisto. Dirigismo intelectual, engessamento do pensamento crítico com crítica pré-construída, seleção e censura de conteúdo a ser consumido, patrulhismo, denuncismo... tudo isto é mais velho que andar para frente. A vantagem de estar em uma democracia é que a pesquisa é aberta para quem quiser, e podemos pular esse intermédio — que deseja nos transformar em massa de manobra — direto para as fontes, construindo um pensamento crítico genuíno. continuar lendo